segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Em Santa Margarida



Complexo Militar de Santa Margarida

Agora em Santa Margarida. Era sinal que estávamos quase de partida para o Ultramar (só que não imaginamos para onde).

No I.A.O. (Instrução de Aperfeiçoamento Operacional) treinavamos “no mato” o ambiente africano. Segundo constou, o Comandante irá hoje sobrevoar o terreno de helicóptero, na zona onde vamos executar um golpe de mão, e disse  que lá de cima, não quer ver ninguém.

Ouvimos o helicóptero ao longe e preocupei-me em cumprir e fazer cumprir, as ordens recebidas.
Quando estava na nossa perpendicular, começou a transmitir pelo “banana”, reclamando estar a ver um soldado quase na totalidade. Procurando o prevaricador, descobri entre muitos, um "elemento" que embora escondido debaixo de um arbusto, tinha as pernas quase todas de fora.
Talvez por causa da “correcção dada” à posição imperfeita, vim depois a notar que um cano de G3 me estava seguindo. Para confirmar, andei aos ziguezagues e a arma também. Não gostei muito, dei a volta pelo largo e repreendi o “Sniper” à minha maneira.
No dia seguinte, como estava de “Sargento de Dia” tive de abandonar o mato por umas horas, para vir à civilização aos correios de Santa Margarida, buscar a correspondência.
A meio da viagem de Unimog, resolvi colocar as divisas na camisa (que tínhamos tirado para sermos todos iguais). Coloquei uma e quando vou procurar a outra, descubro que a perdi. Surgiu então um dilema: só tenho uma! Sou cabo miliciano, e não básico, portanto coloquei a que tinha.
Já nos correios bateram-me nas costas, era a P.U. (Policia da Unidade) perguntando-me o porquê da assimetria. Identifiquei-me, contei o sucedido e entenderam. Acharam que procedi bem, e ficou tudo sanado.
No dia seguinte “já no mato” fui chamado à tenda do Comandante.
Verifiquei que afinal deram o dito pelo não dito, pois vi que tinha na mão uma participação da Policia. Pediu justificações, e em sentido, contei tudo o que se tinha passado. Concordou, mas...começou com rodeios, (tirando-me do sério) respondi:
 Se mereço ser punido Força, caso contrário não vejo qual é o problema.
Indignado pela ousadia, resolveu castigar-me pela gravidade do palpite, com uma Repreensão e ainda por cima, Agravada.





Certa tarde, no final de um “cross” mas ainda em passo de corrida, passamos por uma concentração “suspeita” de tropas, prenúncio da presença da famosa Dentólas.
Era uma velha senhora desdentada, (cuja profissão não deixava dúvidas a ninguém), e que segundo constava, já há alguns anos aviava “sexualmente falando” quase todo o complexo de Santa Margarida.
Era das únicas “quase privativa” que rondava o campo militar com um à-vontade.
Um nosso colega africano, criticava quem “se servia” dela, só que um dia a prustiputa ao passar por nós perguntou se conhecíamos um cabo miliciano preto.
Não foi difícil, pois era o único.
Sim conhecemos…qual o problema? Era praver quando me paga o resto do dinheiro. Demos o recado ao dito, e negou tudo… e acreditamos!? eheheh...

                                          ..................................................................

Os dias iam passando, e as provas eram cada vez mais difíceis.
Na de hoje, constava entre outras, resistir à sede.
Estabeleceu-se um prémio (haveria dispensas) para aqueles que no final da operação, regressassem com mais água no cantil. Assim, estipulamos beber o mínimo possível, só uma tampinha do cantil de longe a longe.
Eu, por ser na altura um fumador inveterado, tinha um cuidado extremo.
A certa altura já no regresso, depois do grupo passar um monte e atravessarmos um riacho, reparei que um "Nosso Cabo" ficou para trás. Pela sucapa, apanhei-o a beber, chupando numa caninha que mergulhava na água. Critiquei a acção por estar a falsear o objectivo, e duvidei da pureza da água, ao que respondeu:
Desculpe Nosso Cabo Miliciano, mas estou a beber a “meia altura” e água corrente não mata gente. ok!...


Entretanto subimos novo morro, e a montante do rio, vimos “a Dentólas” a lavar a dita cuja, no mesmo. Então... o Nosso Cabo só não vomitou as tripas, porque não calhou.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ano de 2011 - Confraternização dos Graduados do Batalhão 2872




Conforme amplamente divulgado desde o dia 15 de Outubro de 2011 apesar de algumas ausências, realizou-se no restaurante
“O Manjar do Marquês” o nosso
(Convívio dos Graduados do Batalhão)


Foi um convívio saudável, onde uma vez mais se recordaram histórias da nossa guerra. Existiu quem se tivesse abraçado após mais de 40 anos de separação. Reinou a boa disposição e por umas horas esquecemos a crise instalada, por estes que, se governam do país.

no entanto:
Se fazes parte daqueles que receberam um E-mail a convidar-te e pura e simplesmente ignoraste-o, optando por não responder. Te digo. Ainda bem que não vieste

Se és daqueles que agradeceu ao amigo, que telefonicamente se preocupou em te relembrar, mas pediste para te contactar mais tarde, não fosses esquecer. Ainda bem que esqueceste

Se foste dos que: Se eu telefonar – vou, Se não telefonar – não vou. Te digo, vai à merda com a resposta e: Ainda bem que não telefonaste

Se és dos que: Cada vez que te vejo, lembro-me de ti. Ainda bem que não me viste

Se Achas que os organizadores, tem a obrigação de implorar pela tua presença. Estás muito enganado.

Se és reincidente, “cá por mim” a partir de agora, podes ficar sossegado que não voltarás a ser molestado com telefonemas ou E-mails pois o teu endereço vai ser transferido para a pasta dos "Persona non grata", porque verifico que afinal és um caso perdido.
+++     +++
Fomos poucos, mas bons, e ainda bem que não vieste pois não merecemos que te sacrifiques, ou que venhas contrariado, no entanto: Não sabes o que perdeste.
+++++


Mas se fazes parte daqueles que infelizmente e justificadamente, faltaram ao encontro por motivos de força maior, faço votos que na próxima tudo esteja superado.